
O senador Gilvam Borges (PMDB-AP), não é de aceitar pacificamente que lhe tratem como mero coadjuvante na corrida eleitoral de 2010. Há de se esperar, portanto, fortes turbulências nas hostes palacianas e muitas surpresas durante todo esse período. Articulador de fino trato e costureiro das mais inusitadas alianças, Gilvam já garantiu, em recente entrevista ao jornalista Roberto Gato, do jornal Tribuna Amapaense, que, em último caso, poderá unir forças com o ex-governador João Alberto Capiberibe, com quem cruzou armas na disputa judicial por uma cadeira no Senado. “Se o PSB vier a somar conosco, ele não terá defeitos”, disse o senador amapaense.
Gilvam Borges sabe muito bem o que fala. O PMDB tem o maior tempo de televisão, a maior representação na Assembléia Legislativa e naturalmente será muito cortejado por todos os partidos. Por outro lado, há forças dentro da legenda, que acreditam que o caminho natural do senador das sandálias, é o Palácio do Setentrião. Outros, naturalmente, acham que deve buscar a reeleição.
Até bem pouco tempo, Gilvam, o governador Waldez Góes e o prefeito Roberto Góes, estavam trabalhando ombro a ombro na solução dos mais diversos problemas que afetavam a sociedade, em especial as comunidades que por muitos anos foram esquecidas pelos gestores. Deve-se dar o crédito necessário a Waldez e Roberto Góes, mas não há qualquer dúvida que nos casos de difícil solução, foi a persistência, a coragem e a audácia de Gilvam que resolveram os problemas. É nesse ponto que os caciques do PMDB jogam todas as suas fichas. A imagem do homem que faz, que não teme diante dos obstáculos, está encravada naquelas pessoas que estavam marginalizadas em suas comunidades e que viram, de repente, uma saída a partir de uma caminhada feita pelo senador.
Foi assim que o Arquipélago do Bailique ganhou uma pista de pouco e seus habitantes podem ser socorridos com prontidão diante de uma enfermidade grave ou de um sinistro. Foi também assim que os moradores daquela comunidade viram suas pontes de madeira, que eram constantemente destruídas por intempéries, serem substituídas por passarelas de concreto em um grande mutirão que mobilizou até o Exército.
No longínquo município de Vitória do Jari, a travessia para Laranjal pode ser feita por estrada. E quem viabilizou tudo? O senador Gilvam, é claro. E foi no Jarí que Gilvam liderou uma revolta com o objetivo de aterrar uma grande área atingida por um incêndio. Dezenas de comerciantes que haviam perdido tudo recuperaram pelo menos a vontade de lutar e a dignidade. Por onde passa, Gilvam deixa uma marca indelével: a do trabalho. Se está formada esta bela imagem de homem público e destemido, porque desperdiçá-la? Que Gilvam venha para o governo, dizem os caciques. Seria uma bela briga com aqueles que já se dizem vencedores a partir de um acordo político que alguns teimam em não cumprir.
Gilvam ainda não se manifestou sobre o assunto. Em conversa com os jornalistas, costuma dizer que as conversas continuam com todos os partidos, que nenhuma aliança está definida, mas que o PMDB terá um grande papel nos rumos da política estadual. Para quem sabe ler nas entrelinhas a previsão é de muitas trovoadas.

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